José Carlos Almeida Cruz – N & S Whitten Publication Subvention 2025-2026

José Carlos Almeida Cruz
Universidade Federal do Amazonas
Waíkahãra (Piratapuia)
Norm and Sibby Whitten Publication Subvention 2025-2026
The Norm and Sibby Whitten Publication Subvention Award Selection Committee (Evan Killick, chair, Lukas Keese and Juliana Oliveira Silva) awarded a grant to José Carlos Almeida Cruz for his book, “Bahsé ahpose – the rites of regeneration of waters and fish among the Piratapuia,” to be published by the Editora Mil Folhas.
Bahsé ahpose – os ritos de regeneração das águas e dos peixes entre os Piratapuia
Resumo
A obra, “Bahsé ahpose – os ritos de regeneração das águas e dos peixes entre os Wa’ikahãra”, aborda os conhecimentos e as prática cosmo-ecológicas do povo Wa’ikahãra (Piratapuia) do grupo Wehetará kuruá. Trata-se de uma etnografia indígena oriunda de uma pesquisa de mestrado em antropologia, sobre os modos de regeneraçãoda vida nas paisagens do Noroeste Amazônico Brasileiro onde se encontra o Rio Vaupés, na Terra Indígena do Alto Rio Negro, no Município de São Gabriel da Cachoeira.
Ao longo dos capítulos do livro, o leitor encontrará detalhes das experiências vivenciadas pelo autor, um antropólogo Wa’ikahãra, durante as transmissões orais recebidas de seus ancestrais: seu pai Piratapuia, de seu sogro Arapaço e avôs tarianos, apresentando as ações realizadas pelos especialistas Yaí, Kumu e Bayaró para que a pesca com a utilização de um “veneno”, o timbó possa ocorrer sem que traga malefício para os envolvidos, em especial os peixes e suas moradas. Uma prática entendida como acão cosmopolítica-diplomática entre os humanos com os outros-que-não-humanos (wa’i mahsã).
O autor elucida o papel do verdadeiro benzedor (bahsegʉ) como o diplomata cosmopolítico na gestão da cultura material, imaterial ou da técnica, quando atua para que as relações entre humanos e peixes seja orientada por uma ética nas relações que implica numa relação entre sujeitos e não entre sujeito e objeto, como é o caso do pensamento modernista dos cientistas da sustentabilidade. Na perspectiva indígena é a relação cosmopolítica entre os Ahko Mahsã (Gente Água) e os Wa’i Mahsã (Seres Cósmicos) que orienta este processo.
O autor argumenta que os Piratapuia buscam criar condições para regeneração da vida e que este processo pode se estender à cura do corpo das pessoas. Em suma, para o autor, a prática do “Bahsé ahpose” evita a escassez dos peixes e reordena os locais ou lugares de subsistência (dehsubasé ahpose) nos processos de geração e regeneração dos peixes, da água, das florestas, das terras e moradas dos seres.
Abstract
The work “Bahsé ahpose – the rites of regeneration of waters and fish among the Wa’ikahãra” addresses the knowledge and cosmo-ecological practices of the Wa’ikahãra (Piratapuia) people of the Wehetará kuruá group. It is an Indigenous ethnography derived from a master’s research in anthropology, focusing on the modes of regeneration of life in the landscapes of the Brazilian Northwestern Amazon, where the Vaupés River is located, within the Alto Rio Negro Indigenous Territory, in the municipality of São Gabriel da Cachoeira.
Throughout the book’s chapters, the reader will find details of the experiences lived by the author, a Wa’ikahãra anthropologist, during the oral transmissions received from his ancestors: his Piratapuia father, his Arapaço father-in-law, and his Tariano grandfathers. The work presents the actions carried out by specialists known as Yaí, Kumu, and Bayaró so that fishing using a “poison,” timbó, can take place without causing harm to those involved, especially the fish and their habitats.
This practice is understood as a cosmopolitical-diplomatic action between humans and other-than-human beings (wa’i mahsã). The author clarifies the role of the true healer (bahsegʉ) as a cosmopolitical diplomat in the management of material and immaterial culture, as well as technique, acting to ensure that relationships between humans and fish are guided by an ethics based on relations between subjects, rather than between subject and object—as is typical of the modernist thinking of sustainability scientists. From an Indigenous perspective, it is the cosmopolitical relationship between the Ahko Mahsã (Water People) and the Wa’i Mahsã (Cosmic Beings) that guides this process.
The author argues that the Piratapuia seek to create conditions for the regeneration of life, and that this process may also extend to the healing of the human body. In sum, for the author, the practice of “Bahsé ahpose” prevents the scarcity of fish and reorders the places of subsistence (dehsubasé ahpose) within the processes of generation and regeneration of fish, water, forests, lands, and the dwellings of beings.
Resumen
La obra “Bahsé ahpose – los ritos de regeneración de las aguas y de los peces entre los Wa’ikahãra” aborda los conocimientos y las prácticas cosmo-ecológicas del pueblo Wa’ikahãra (Piratapuia) del grupo Wehetará kuruá. Se trata de una etnografía indígena derivada de una investigación de maestría en antropología, sobre los modos de regeneración de la vida en los paisajes del noroeste amazónico brasileño, donde se encuentra el río Vaupés, en la Tierra Indígena del Alto Río Negro, en el municipio de São Gabriel da Cachoeira.
A lo largo de los capítulos del libro, el lector encontrará detalles de las experiencias vividas por el autor, un antropólogo Wa’ikahãra, durante las transmisiones orales recibidas de sus ancestros: su padre Piratapuia, su suegro Arapaço y sus abuelos tarianos. La obra presenta las acciones realizadas por especialistas conocidos como Yaí, Kumu y Bayaró para que la pesca mediante el uso de un “veneno”, el timbó, pueda llevarse a cabo sin causar perjuicio a los involucrados, especialmente a los peces y sus hábitats.
Esta práctica se entiende como una acción cosmopolítica-diplomática entre los humanos y los otros-que-no-son-humanos (wa’i mahsã). El autor esclarece el papel del verdadero curador (bahsegʉ) como diplomático cosmopolítico en la gestión de la cultura material e inmaterial, así como de la técnica, actuando para que las relaciones entre humanos y peces estén guiadas por una ética basada en relaciones entre sujetos, y no entre sujeto y objeto, como ocurre en el pensamiento modernista de los científicos de la sostenibilidad. Desde la perspectiva indígena, es la relación cosmopolítica entre los Ahko Mahsã (Gente del Agua) y los Wa’i Mahsã (Seres Cósmicos) la que orienta este proceso.
El autor argumenta que los Piratapuia buscan crear condiciones para la regeneración de la vida y que este proceso puede extenderse también a la curación del cuerpo humano. En suma, para el autor, la práctica del “Bahsé ahpose” evita la escasez de peces y reordena los lugares de subsistencia (dehsubasé ahpose) en los procesos de generación y regeneración de los peces, del agua, de los bosques, de las tierras y de las moradas de los seres.